AMARELO 4X4 AZUL/PRETO
Gols:
Amarelo: Alex; Evandro; João; Vander; Danilson; Diogo [1º, 4º, 5º]
Azul/Preto: Vilnei; Felipe; Jairo; Preto [6º - contra]; Charles; Erlon [8º]; Fábio [2, 3º, 7º]
Assim como vem ocorrendo nos últimos jogos, tivemos uma partida marcada pelo equilíbrio e emoção. Amarelos e Bicolores realizaram um confronto daqueles ditos "para ficar na História". Muitos foram os motivos para essa afirmação. Desde o escore de 4x4 até o fato (inusitado) de Danilson ter passado em branco pelo placar.
No entanto, o aspecto mais relevante diz respeito ao jogo em si, pois, como tem ocorrido nos últimos embates, neste a rivalidade se sobrepôs como um indicativo importante de qualidade técnica e de aguerrimento.
Decidido a recuperar sua boa forma de anos iniciais na Junção, Diogo tratou de comandar seu time como somente os grandes capitães são capazes de fazer. Destemido, peleou até o minuto final por uma vitória. Preocupado em apenas jogar, deixou de lado sua postura individual, sendo um dos nomes do clássico.
Do lado Bicolor, Fábio foi quem teve a incubência de auxiliar seu time na batalha contra seus tradicionais rivais. Sua presença foi fundamental, pois, além de atuar bem, marcou três dos quatro gols de sua equipe.
De início, os Amarillos propuseram o jogo. Com investidas rápidas pelos flancos da quadra, chegavam com qualidade e força ao gol defendido por Vilnei. João e Vander, postados mais atrás, produziam a segurança necessária para as constantes saídas de Diogo pelos lados. Além disso, proporcionavam a Danilson e Evandro uma boa sequência de deslocamentos do meio para frente. Por azar amarelo, Vilnei estava em noite inspirada. Conteve por meio de suas boas defesas os avanços mais contundentes do inimigo. Só não esperava pela falha de Fábio na entrada da área. Em bola alçada por Alex, Fábio, ao tentar escorá-la no peito para Felipe, deixou-a nos pés de Danilson que, ao ver a aproximação de Diogo (1º) pela direita, ajeitou na medida para o chute cruzado e inapelável do ala amarelo: 1x0.
Melhorando sua saída de bola, aos poucos, o Az/Pr equilibrou a partida. A entrada de Erlon foi um acréscimo importante para essa dinâmica funcionar. Jairo, com isso, passou a jogar na frente, fazendo o pivô. Dessa maneira, saindo da defesa com qualidade, o Bicolor chegou à virada no escore. Ao se delocar até o fundo da quadra, Jairo puxou a marcação e, de primeira, serviu a Fábio (2º) que, fechando pelo meio, antecipou-se a Diogo para empatar em 1x1 o confronto.
Ainda no primeiro tempo, Fábio (3º) avançou pela esquerda pra cima de Diogo e, ao deixar este para trás, chutou da linha de fundo, quase sem ângulo, para Alex aceitar: 2x1.
Na etapa final, a rivalidade ficou mais evidente. As disputas pela posse de bola foram mais incisivas. O Amarelo entrou decidido a reverter sua posição no placar. Assim como ocorreu na etapa anterior, foi mais eficiente nos minutos iniciais desta. Pressionou bastante, obrigando a Vilnei a boas defesas. Contudo, em dois lances semelhantes, passou à frente do placar. Em dois rebotes de Vilnei - após dois violentos chutes de Vander -, Diogo (4º e 5º) ficou com a sobra: 3x2.
Para piorar ainda mais a situação Bicolor, Preto (6º - contra), ao tentar cortar cruzamento de Evandro, tocou para as próprias redes: 4x2.
Pensando estar praticamente encerrada a fatura, os Amarillos passaram a cadenciar o jogo. Erro estratégico. Na pressão, o Az/Pr voltou a crescer no clássico. Com muito empenho e aguerrimento, conseguiu estabelecer o empate no escore final.
Em penalidade máxima sofrida por Preto, Fábio (7º), chamando a responsabilidade pra si, ajeitou e converteu: 4x3. Na raça, Erlon (8º) roubou a bola de Evandro na meia-cancha, avançou e tocou na saída de Alex, entre suas pernas, decretando mais um empate na temporada, dessa vez em 4x4.
Um confronto para ficar marcado nos Anais da Junção. Um jogo digno de ser lembrado e pra sempre enaltecido como um clássico histórico.
Não a procure em dicionários. Não a procure em livros de História. Tampouco perca seu tempo tentando encontrá-la em enciclopédias, almanaques e coisas do tipo. Não procure saber seu significado, muito menos o que ela representa. Tente apenas sentí-la o mais próximo possível de suas entranhas, lá onde suas vísceras habitam, onde a raça prolifera e a alma torna-se um mito.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
domingo, 18 de abril de 2010
Nem sempre se acerta...
Fabiano, o arqueiro novo, não joga mais na Junção. Efêmera foi sua estreia. Efêmera foi sua despedida. Foi outro que não suportou a pressão da Junção, achando melhor abandoná-la. Tinha tudo pra dar certo. Melhor, quase tudo. Faltou-lhe o principal: a raça de ser juncianeiro. Por sorte, Alex voltou (e como voltou). Agora, nossa Junção está em paz novamente com as balisas.
Vilnei e Alex, eternos juncianeiros!
Vilnei e Alex, eternos juncianeiros!
Fácil, extremamente fácil [Jogo 10 - 06/04/2010]
AZUL/PRETO 11X5 AMARELO
Gols:
Azul/Preto: Alex [11º]; Danilson [9º, 14º]; Evandro [13º, 15º]; João Paulo [2º, 10º]; Preto [3º]; Diogo [4º, 6º, 16º]
Amarelo: Vilnei; Charles; Marcelo; Vander [1º]; Felipe [7º, 9º, 12º]; Fábio; Jairo [8º]
Como diz o velho ditado popular, "não deu nem para o cheiro". Dono de uma técnica mais apurada e uma organização tática melhor consolidada, o Az/Pr dominou do início ao fim o jogo. Fez um escore relativamente elástico, não tendo ocorrido sustos maiores que colocassem em perigo sua vitória. Ao Amarelo, coube, enquanto pôde, defender-se, explorando as possíveis falhas individuais de seu adversário. Não formou um ataque efetivo, que prendesse a bola na frente. Vencidos pelo cansaço tornaram-se presa fácil para seu oponente, que os derrotaram com uma certa facilidade, como na canção de Jota Quest.
Como prêmio de consolação aos vencidos, o gol de Vander (1º), o que abriu o placar, foi de uma plasticidade envolvente. E não foi fácil. Vander partiu de seu campo de defesa, driblou três adversários e, por último, deixou Alex deitado no chão antes de tocar para suas redes. Um golaço feito no início da partida, sendo, até então, o gol mais rápido da temporada.
A partir daí, o Az/Pr ditou o ritmo do clássico. Os Amarillos até que conseguiram segurar no que deu no primeiro tempo; porém, no segundo, a coisa desandou.
O empate Bicolor chegou através de João (2º) que, ao receber passe de Danilson da linha de fundo, apenas concluiu para o fundo do gol. A virada aconteceu num lance inusitado. Em passe de Danilson, Diogo arrisca o chute, a bola desvia em Vander e sobra livre para Preto (3º) marcar 2x1. Logo após, Diogo (4º) rouba a bola de Fábio perto da área e amplia em 3x1.
Atordoados, os Amarelos tentam, em vão, frear a impetuosidade inimiga. O Bicolor acelera o ritmo e marca mais duas vezes. Em outra falha defensiva, Danilson (5º) se aproveita do fato para tocar na saída de Vilnei: 4x1. Diogo (6º) parte com a bola dominada pelo meio, avança sem marcação e arremata frontalmente, não possibilitando reação alguma do arqueiro amarelo: 5x1.
Ao desacelerar seu ritmo, o Az/Pr passou a cadenciar o jogo. Tal cadenciamento esfriou o time que, por pouco, não viu seu empenho inicial ser prejudicado. Acalentados ficaram os Amarelos que, aproveitando o momento de descuido inimigo, encostaram no placar ainda no primeiro tempo. Em passe de Marcelo, Felipe (7º), dentro da área, apenas completou para dentro do gol vazio: 5x2. Depois, numa bobeada coletiva, Evandro recuou mal a bola para Alex que, ao tentar despachá-la, também errou, sobrando para Jairo (8º), na raça, bateu duas vezes para marcar - a primeira tentativa tocou no poste - e descontou em 5x3 o escore. Para encerrar os erros estratégicos cometidos pelo Bicolor neste primeiro tempo, Evandro, em outro passe mal feito, permitiu a Felipe (9º) ficar com a bola, avançar, bater e, no rebote de Alex, tocar de cabeça para as redes: 5x4.
Decidido a mudar ainda na primeira etapa a estratégia mal elaborada, o Az/Pr voltou a acelerar a partida. Nem deu tempo para Felipe comemorar, que, em seguida, Diogo, em contra-ataque fulminante, largou João (10º) na cara do gol: 6x4.
No segundo tempo, o Bicolor não baixou seu padrão de jogo. Entrou, de cara, já abafando a saída de bola inimiga. Fechado, o Amarelo seguia apostando nos contra-ataques e em posspiveis falhas do rival. Alex (11º), como homem-surpresa, marca seu primeiro gol na temporada, mandando um chute de longe, no qual Vilnei aceitou: 7x4.
Em tabela de Jairo e Felipe (12º), este descontou em 7x5. Porém, esse foi o único gol que o Amarelo fez nesta etapa. O que se viu adiante foi apenas a comprovação, a supremacia de um time sobre outro. Em lançamento de Preto, Evandro (13º), às costas de Charles, dominou no peito e fuzilou Vilnei: 8x5. Em seguida, Evandro vai até a linha de fundo e centra na medida para Danilson (14º) somente completar: 9x5. A tabelinha Danilson e Evandro voltou a funcionar, desta vez ao contrário, isto é, Danilson cruzou e Evandro (15º), de letra, desviou do arqueiro amarelo: 10x5. Para encerrar, Diogo (16º), no contra-ataque, aproveitou o vazio da zaga para selar o placar em 11x5, cantarolando fácil, extremamente fácil...
Gols:
Azul/Preto: Alex [11º]; Danilson [9º, 14º]; Evandro [13º, 15º]; João Paulo [2º, 10º]; Preto [3º]; Diogo [4º, 6º, 16º]
Amarelo: Vilnei; Charles; Marcelo; Vander [1º]; Felipe [7º, 9º, 12º]; Fábio; Jairo [8º]
Como diz o velho ditado popular, "não deu nem para o cheiro". Dono de uma técnica mais apurada e uma organização tática melhor consolidada, o Az/Pr dominou do início ao fim o jogo. Fez um escore relativamente elástico, não tendo ocorrido sustos maiores que colocassem em perigo sua vitória. Ao Amarelo, coube, enquanto pôde, defender-se, explorando as possíveis falhas individuais de seu adversário. Não formou um ataque efetivo, que prendesse a bola na frente. Vencidos pelo cansaço tornaram-se presa fácil para seu oponente, que os derrotaram com uma certa facilidade, como na canção de Jota Quest.
Como prêmio de consolação aos vencidos, o gol de Vander (1º), o que abriu o placar, foi de uma plasticidade envolvente. E não foi fácil. Vander partiu de seu campo de defesa, driblou três adversários e, por último, deixou Alex deitado no chão antes de tocar para suas redes. Um golaço feito no início da partida, sendo, até então, o gol mais rápido da temporada.
A partir daí, o Az/Pr ditou o ritmo do clássico. Os Amarillos até que conseguiram segurar no que deu no primeiro tempo; porém, no segundo, a coisa desandou.
O empate Bicolor chegou através de João (2º) que, ao receber passe de Danilson da linha de fundo, apenas concluiu para o fundo do gol. A virada aconteceu num lance inusitado. Em passe de Danilson, Diogo arrisca o chute, a bola desvia em Vander e sobra livre para Preto (3º) marcar 2x1. Logo após, Diogo (4º) rouba a bola de Fábio perto da área e amplia em 3x1.
Atordoados, os Amarelos tentam, em vão, frear a impetuosidade inimiga. O Bicolor acelera o ritmo e marca mais duas vezes. Em outra falha defensiva, Danilson (5º) se aproveita do fato para tocar na saída de Vilnei: 4x1. Diogo (6º) parte com a bola dominada pelo meio, avança sem marcação e arremata frontalmente, não possibilitando reação alguma do arqueiro amarelo: 5x1.
Ao desacelerar seu ritmo, o Az/Pr passou a cadenciar o jogo. Tal cadenciamento esfriou o time que, por pouco, não viu seu empenho inicial ser prejudicado. Acalentados ficaram os Amarelos que, aproveitando o momento de descuido inimigo, encostaram no placar ainda no primeiro tempo. Em passe de Marcelo, Felipe (7º), dentro da área, apenas completou para dentro do gol vazio: 5x2. Depois, numa bobeada coletiva, Evandro recuou mal a bola para Alex que, ao tentar despachá-la, também errou, sobrando para Jairo (8º), na raça, bateu duas vezes para marcar - a primeira tentativa tocou no poste - e descontou em 5x3 o escore. Para encerrar os erros estratégicos cometidos pelo Bicolor neste primeiro tempo, Evandro, em outro passe mal feito, permitiu a Felipe (9º) ficar com a bola, avançar, bater e, no rebote de Alex, tocar de cabeça para as redes: 5x4.
Decidido a mudar ainda na primeira etapa a estratégia mal elaborada, o Az/Pr voltou a acelerar a partida. Nem deu tempo para Felipe comemorar, que, em seguida, Diogo, em contra-ataque fulminante, largou João (10º) na cara do gol: 6x4.
No segundo tempo, o Bicolor não baixou seu padrão de jogo. Entrou, de cara, já abafando a saída de bola inimiga. Fechado, o Amarelo seguia apostando nos contra-ataques e em posspiveis falhas do rival. Alex (11º), como homem-surpresa, marca seu primeiro gol na temporada, mandando um chute de longe, no qual Vilnei aceitou: 7x4.
Em tabela de Jairo e Felipe (12º), este descontou em 7x5. Porém, esse foi o único gol que o Amarelo fez nesta etapa. O que se viu adiante foi apenas a comprovação, a supremacia de um time sobre outro. Em lançamento de Preto, Evandro (13º), às costas de Charles, dominou no peito e fuzilou Vilnei: 8x5. Em seguida, Evandro vai até a linha de fundo e centra na medida para Danilson (14º) somente completar: 9x5. A tabelinha Danilson e Evandro voltou a funcionar, desta vez ao contrário, isto é, Danilson cruzou e Evandro (15º), de letra, desviou do arqueiro amarelo: 10x5. Para encerrar, Diogo (16º), no contra-ataque, aproveitou o vazio da zaga para selar o placar em 11x5, cantarolando fácil, extremamente fácil...
O corpo [Jogo 9 - 30/03/2010]
AZUL/PRETO 5X5 AMARELO
Gols:
Azul/Preto: Alex; João Paulo; Marcelo [3º]; Preto; Evandro [1º, 7º, 8º]; Charles; Jairo [5º]
Amarelo: Vilnei; Danilson [2º, 10º]; Vander [9º]; Diogo; Veni [4º]; Felipe; Erlon [6º]; Fábio
Foi uma batalha campal. Porém, ao invés de trincheiras, baionetas e granadas; corpos caídos, destroçados e despedaçados, a guerra se fez pela posse de bola, pelo chute desferido mortalmente, pela defesa dita impossível, pela dividida mais ríspida... Enfim, uma guerra travada dentro de quatro linhas entre o exército Amarelo e o Bicolor.
Corpos prontos para a batalha que se iniciou desde o primeiro trilho do apito. Corpos disciplinados, forjados numa estrutura romana, em colunas defensivas intransponíveis. Corpos indisciplinados, calcados numa desordem bárbara, ofensivamente agressivos, prontos para o ataque à meta inimiga. Disciplinados ou desvairados, os corpos tinham apenas um objetivo: a vitória.
Dentre tantos corpos, um corpo. Elástico, enaltecido por uma mescla de fibra castelhana e frieza europeia, esse corpo se sobressaiu sobre os demais. Foi corpo e alma juntos. Defendeu sua meta como quem guarda as portas da entrada de um reino. Foi espartano, no sentido da frieza e técnica, mas também farrapo, no sentido da bravura e do destemor em defender seu exército. Esse corpo tem uma identidade personificada em duas cores, azul e preto, que se chama Alex, o nome do jogo.
Alex teve uma inquestionável performance que beirou a perfeição. Se não fosse por ele, seu time, por certo, teria saído de quadra derrotado. O empate só foi possível devido a Alex, o corpo do jogo. Com defesas absurdas, o arqueiro Bicolor salvou seu time, literalmente, com as mãos. Vander em, no mínimo, três petardos viu seu gol se transformar em sonho nas mãos de Alex. Fábio também teve essa mesma sensação ao ver o arqueiro azul praticar uma defesa incrível num chute certeiro seu. Danilson foi outro que se deparou com sua fragilidade por pelo menos umas quatro vezes diante do pequeno-gigante Alex. O goleador da Junção literalmente parou nas mãos do arqueiro azul e preto, tendo feito apenas dois gols dos tantos outros possíveis de serem feitos, caso não fosse Alex o goleiro inimigo.
Mas não somente de Alex o time Bicolor foi constituído. Havia outros corpos também. Corpos estes moldados para o embate do confronto. Evandro foi um destes. Fundamental foi sua participação no clássico. Atuou com desenvoltura e aplicação táticas inerentes a um legítimo peleador. Assim como seu goleiro, dedicou-se, colocando seu corpo à prova, pelo amor a sua equipe. E não se arrependeu. Roubou a bola de Veni na defesa, avançou e mandou um petardo no ângulo de Vilnei, marcando 1x0.
Pressionando a saída de bola adversária, os Amarillos forçavam ao erro seu rival. Num destes, Marcelo teve a infelicidade de cometer um passe errado justamente à frente de Danilson (2º), na entrada da área. Essa foi a primeira das duas vezes em que o artilheiro venceu o guarda-metas: 1x1.
No impasse do empate, o Amarelo seguiu propondo as ações da partida. O Az/Pr, sempre perigoso nos contra-ataques, seguiu apostando na marcação e nas defesas de Alex como suas armas letais. Por investir tanto no sistema defensivo como sua proposta estratégica, o Bicolor se viu recompensado. Assim como o lendário zagueiro uruguaio e gremista Hugo De León se redimiu da falha, que acabou em gol Rubro-Negro, num clássico contra o Flamengo pela Taça libertadores da América (assim se chamava a outrora legítima, respeitada e destemida competição continental) de 1983, marcando o gol de empate Tricolor, Marcelo, inspirado por esse mesmo espírito charrua, anotou o gol de 2x1 de seu time. Evandro puxou o contragolpe ao desarmar Danilson na meia-cancha, avançou e bateu, na sobra de defesa parcial de Vilnei, Marcelo (3º) chegou fuzilando e colocando o Az/Pr em vatagem novamente.
Mas se Evandro, por duas vezes, foi mentor de dois gols azuis por roubar a bola de seus adversários, foi quem também falhou no gol de empate amarelo. Diogo se saiu melhor no embate com Evandro em seu campo de defesa e rapidamente lançou Veni (4º) que, num chute impecável, mandou fora do alcance de Alex: 2x2.
A segunda etapa começou quente. Jairo e Fábio se estranharam num lance que ocorreu ainda no primeiro tempo e teve repercussão nesta etapa final. Fábio não gostou do modo como jairo foi para uma disputa de bola com ele. Os ânimos se acirraram. Ambos se prometeram. O jogo prosseguiu. Porém, agora, ainda mais peleado. A vitória virou uma questão de honra. Fábio e Jairo foram o símbolo de corpos em guerra; de times num compasso eloquente e vivaz, enaltecidos pela atmosfera da Junção.
Nesta pequena batalha dentro da guerra principal, jairo (5º), em princípio, levou a melhor. Foi seu o terceiro gol de sua equipe. Evandro recebeu livre na área e tocou na medida para o "velhinho bom de bola da Junção" fazer 3x2.
Um detalhe interessante neste clássico diz respeito ao placar. As iniciativas partiam, em grande parte, do lado amarelo. Contudo, quem sempre abria a vantagem era o Bicolor (1xo, 2x1, 3x2, 5x3) - e assim seguiu até o final.
Os Amarillos permaneceram tentando. Alex, lembrando Hitchcock, seguia com seu corpo em queda, praticando defesas bárbaras. Por falar em bárbaros, Diogo, assumindo o papel de um, arrancou de trás, passou por seus marcadores e deixou Erlon (6º) à vontade para romper com os portais da cidadela de Alex, igualando em 3x3 o escore.
A guerra não cessou sequer um minuto. Alex e Evandro, cada qual em seu papel, foram notórios em quadra. Vestiram o manto azul e preto com tanta fúria que por pouco não consolidaram, ao invés de um empate, uma vitória dos Bicolores.
Evandro (7º e 8º), que teve participação direta nos cinco gols de seu time - marcou três e deu passe para os outros dois -, ampliaria, em duas oportunidades, o placar para 5x3. Na primeira chance, aproveitou-se de passe errado de Erlon. Já na segunda oportunidade anotou um golaço ao matar a bola no peito e, do meio da rua, acertar um potente chute no ângulo superior de Vilnei.
O corpo chamado Alex parecia destinado a não deixar mais nada entrar em suas redes. Até que Vander (9º), depois de tantas tentativas, emplacou um chute violentíssimo, mandando a bola fora do alcance do guarda-metas azul: 5x4.
A redenção amarela só veio nos minutos finais da partida. Após bate-rebate na área, Danilson (10º) venceu a disputa com a defesa rival, decretando o empate como resultado final do clássico.
Ainda houve tempo para Veni se lesionar (rompeu parcialmente os ligamentos do joelho direito) numa disputa de bola com Evandro. Neste lance, Veni, corajosamente, jogou-se, dentro da área, com Vilnei já batido, aos pés de Evandro, evitando, assim, o gol que provavelmente daria a vitória ao Bicolor. Um lance para finalizar de forma heróica esse épico confronto.
De tantos corpos caídos ao chão, lembrei-me do soldado russo narrado por Nietzsche em sua clássica obra Ecce Homo, na qual tal soldado, após ter muito lutado contra todas as intempéries possíveis, tomba sobre a neve não derrotado, mas vencido pelo cansaço de uma batalha monumental, que, no caso literário se resume à vida, mas no nosso, a Junção, a vida pela Junção.
Gols:
Azul/Preto: Alex; João Paulo; Marcelo [3º]; Preto; Evandro [1º, 7º, 8º]; Charles; Jairo [5º]
Amarelo: Vilnei; Danilson [2º, 10º]; Vander [9º]; Diogo; Veni [4º]; Felipe; Erlon [6º]; Fábio
Foi uma batalha campal. Porém, ao invés de trincheiras, baionetas e granadas; corpos caídos, destroçados e despedaçados, a guerra se fez pela posse de bola, pelo chute desferido mortalmente, pela defesa dita impossível, pela dividida mais ríspida... Enfim, uma guerra travada dentro de quatro linhas entre o exército Amarelo e o Bicolor.
Corpos prontos para a batalha que se iniciou desde o primeiro trilho do apito. Corpos disciplinados, forjados numa estrutura romana, em colunas defensivas intransponíveis. Corpos indisciplinados, calcados numa desordem bárbara, ofensivamente agressivos, prontos para o ataque à meta inimiga. Disciplinados ou desvairados, os corpos tinham apenas um objetivo: a vitória.
Dentre tantos corpos, um corpo. Elástico, enaltecido por uma mescla de fibra castelhana e frieza europeia, esse corpo se sobressaiu sobre os demais. Foi corpo e alma juntos. Defendeu sua meta como quem guarda as portas da entrada de um reino. Foi espartano, no sentido da frieza e técnica, mas também farrapo, no sentido da bravura e do destemor em defender seu exército. Esse corpo tem uma identidade personificada em duas cores, azul e preto, que se chama Alex, o nome do jogo.
Alex teve uma inquestionável performance que beirou a perfeição. Se não fosse por ele, seu time, por certo, teria saído de quadra derrotado. O empate só foi possível devido a Alex, o corpo do jogo. Com defesas absurdas, o arqueiro Bicolor salvou seu time, literalmente, com as mãos. Vander em, no mínimo, três petardos viu seu gol se transformar em sonho nas mãos de Alex. Fábio também teve essa mesma sensação ao ver o arqueiro azul praticar uma defesa incrível num chute certeiro seu. Danilson foi outro que se deparou com sua fragilidade por pelo menos umas quatro vezes diante do pequeno-gigante Alex. O goleador da Junção literalmente parou nas mãos do arqueiro azul e preto, tendo feito apenas dois gols dos tantos outros possíveis de serem feitos, caso não fosse Alex o goleiro inimigo.
Mas não somente de Alex o time Bicolor foi constituído. Havia outros corpos também. Corpos estes moldados para o embate do confronto. Evandro foi um destes. Fundamental foi sua participação no clássico. Atuou com desenvoltura e aplicação táticas inerentes a um legítimo peleador. Assim como seu goleiro, dedicou-se, colocando seu corpo à prova, pelo amor a sua equipe. E não se arrependeu. Roubou a bola de Veni na defesa, avançou e mandou um petardo no ângulo de Vilnei, marcando 1x0.
Pressionando a saída de bola adversária, os Amarillos forçavam ao erro seu rival. Num destes, Marcelo teve a infelicidade de cometer um passe errado justamente à frente de Danilson (2º), na entrada da área. Essa foi a primeira das duas vezes em que o artilheiro venceu o guarda-metas: 1x1.
No impasse do empate, o Amarelo seguiu propondo as ações da partida. O Az/Pr, sempre perigoso nos contra-ataques, seguiu apostando na marcação e nas defesas de Alex como suas armas letais. Por investir tanto no sistema defensivo como sua proposta estratégica, o Bicolor se viu recompensado. Assim como o lendário zagueiro uruguaio e gremista Hugo De León se redimiu da falha, que acabou em gol Rubro-Negro, num clássico contra o Flamengo pela Taça libertadores da América (assim se chamava a outrora legítima, respeitada e destemida competição continental) de 1983, marcando o gol de empate Tricolor, Marcelo, inspirado por esse mesmo espírito charrua, anotou o gol de 2x1 de seu time. Evandro puxou o contragolpe ao desarmar Danilson na meia-cancha, avançou e bateu, na sobra de defesa parcial de Vilnei, Marcelo (3º) chegou fuzilando e colocando o Az/Pr em vatagem novamente.
Mas se Evandro, por duas vezes, foi mentor de dois gols azuis por roubar a bola de seus adversários, foi quem também falhou no gol de empate amarelo. Diogo se saiu melhor no embate com Evandro em seu campo de defesa e rapidamente lançou Veni (4º) que, num chute impecável, mandou fora do alcance de Alex: 2x2.
A segunda etapa começou quente. Jairo e Fábio se estranharam num lance que ocorreu ainda no primeiro tempo e teve repercussão nesta etapa final. Fábio não gostou do modo como jairo foi para uma disputa de bola com ele. Os ânimos se acirraram. Ambos se prometeram. O jogo prosseguiu. Porém, agora, ainda mais peleado. A vitória virou uma questão de honra. Fábio e Jairo foram o símbolo de corpos em guerra; de times num compasso eloquente e vivaz, enaltecidos pela atmosfera da Junção.
Nesta pequena batalha dentro da guerra principal, jairo (5º), em princípio, levou a melhor. Foi seu o terceiro gol de sua equipe. Evandro recebeu livre na área e tocou na medida para o "velhinho bom de bola da Junção" fazer 3x2.
Um detalhe interessante neste clássico diz respeito ao placar. As iniciativas partiam, em grande parte, do lado amarelo. Contudo, quem sempre abria a vantagem era o Bicolor (1xo, 2x1, 3x2, 5x3) - e assim seguiu até o final.
Os Amarillos permaneceram tentando. Alex, lembrando Hitchcock, seguia com seu corpo em queda, praticando defesas bárbaras. Por falar em bárbaros, Diogo, assumindo o papel de um, arrancou de trás, passou por seus marcadores e deixou Erlon (6º) à vontade para romper com os portais da cidadela de Alex, igualando em 3x3 o escore.
A guerra não cessou sequer um minuto. Alex e Evandro, cada qual em seu papel, foram notórios em quadra. Vestiram o manto azul e preto com tanta fúria que por pouco não consolidaram, ao invés de um empate, uma vitória dos Bicolores.
Evandro (7º e 8º), que teve participação direta nos cinco gols de seu time - marcou três e deu passe para os outros dois -, ampliaria, em duas oportunidades, o placar para 5x3. Na primeira chance, aproveitou-se de passe errado de Erlon. Já na segunda oportunidade anotou um golaço ao matar a bola no peito e, do meio da rua, acertar um potente chute no ângulo superior de Vilnei.
O corpo chamado Alex parecia destinado a não deixar mais nada entrar em suas redes. Até que Vander (9º), depois de tantas tentativas, emplacou um chute violentíssimo, mandando a bola fora do alcance do guarda-metas azul: 5x4.
A redenção amarela só veio nos minutos finais da partida. Após bate-rebate na área, Danilson (10º) venceu a disputa com a defesa rival, decretando o empate como resultado final do clássico.
Ainda houve tempo para Veni se lesionar (rompeu parcialmente os ligamentos do joelho direito) numa disputa de bola com Evandro. Neste lance, Veni, corajosamente, jogou-se, dentro da área, com Vilnei já batido, aos pés de Evandro, evitando, assim, o gol que provavelmente daria a vitória ao Bicolor. Um lance para finalizar de forma heróica esse épico confronto.
De tantos corpos caídos ao chão, lembrei-me do soldado russo narrado por Nietzsche em sua clássica obra Ecce Homo, na qual tal soldado, após ter muito lutado contra todas as intempéries possíveis, tomba sobre a neve não derrotado, mas vencido pelo cansaço de uma batalha monumental, que, no caso literário se resume à vida, mas no nosso, a Junção, a vida pela Junção.
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