segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Alma charrua [Jogo 30 - 15/09/2009]


AZUL/PRETO 4X5 AMARELO

Gols:
Azul/Preto: Vilnei; Danilson [4º, 6º]; Preto [3º]; Fábio [2º]; Joarez; Charles
Amarelo: Alex; Evandro [8º, 9º]; João Paulo; Vander [1º, 5º]; Marcelo [7º]

Recentemente o Club Atletico Peñarol, do Uruguai, foi eleito pela Fundação Internacional de História e Estatística do Futebol (IFFHS) o melhor clube da América do Sul do século XX. Conhecidos por sua garra, os aurinegros formaram um time quase imbatível nas décadas de 60 e 80 no cenário sulamericano. Destemidos e raçudos, os charruas negros e amarillos jogavam um futebol aguerrido e tecnicamente consistente, sem ser muito vistoso.
Peñarol também se chamou o primeiro time da Junção. Forjado na garra charrua, tornou-se célebre, e base do Boca Jrs., equipe fundadora da Junção.
Passado muitos anos, o espírito daquele velho e destemido Peñarol voltou a fazer história no mundo do futebol. Ao invés de Mazurkiewicz, Alex; no lugar de Spencer, Evandro; ocupando a vaga de De los Santos, João Paulo; Perdomo e Paolo Montero, representados por Vander e Marcelo, respectivamente. Assim, com essa formação, vestindo as mesmas cores do lendário time uruguaio, os Amarillos realizaram um partidaço e, mesmo em desvantagem por duas vezes no segundo tempo, souberam fazer valer a mística do verdadeiro Peñarol.
Esse jogo contava com o retorno - depois de muitos anos - de Joarez ao convívio da Junção. Em sua volta, tal atleta fez uma apresentação até que razoável, considerando-se seu tempo longe do futebol. Ainda sem um ritmo maior, criou algumas tabelas e arriscou outras jogadas. É notório sua falta de pegada, visto seu tempo de inatividade.
Mas, para além do retorno de Joarez a Junção, o que, de fato, merece destaque diz respeito à herculana e épica vitória amarela no clássico de número 30 da temporada. Evocando seus místicos ancestrais, os Yellows lutaram até o final de partida pela vitória. Foram defensores intrépidos da inigualável garra castelhana. Destaques? Todos. O coletivo foi o grande mérito amarelo. Defendendo com muita qualidade e atacando com efetividade, foram mortais em seus propósitos. Mantiveram a calma e a motivação no momento mais difícil do jogo - quando estavam perdendo por 3x1. Não afastaram-se de seus interesses, mantiveram o sangue latino e, na hora certa, atacaram com extrema prudência e efetividade. Uma batalha. Uma reconquista. Uma raça pra ficar cravada na história da Junção.
Em saída mal pela meia-cancha, Charles perde a bola, que chega aos pés de Vander Perdomo [1º], para, num talagaço certeiro, abrir o placar para os Amarelos: 1x0.
O Az/Pr procura responder ao gol sofrido com muita urgência. Porém esbarra no ferrolho defensivo construído por Alex, João, Vander e Marcelo, um quarteto legitimamente uruguaio.
Somente no final do primeiro tempo, em lance casual, no qual houve desvio de Evandro, Fábio [2º] iguala o placar em 1x1. Assim, empatado em um gol, o primeiro se encerra. O Amarelo conseguiu honrar as tradições do velho Peñarol, defendendo-se bravamente.
Na etapa final, o Az/Pr seguiu na pressão. Abriu, por duas vezes, uma diferença de dois gols no escore. No entanto, dotados de uma entrega coletiva e aguerrida, os Aurinegros charruas foram heróicos, retumbantes e históricos.
Em cobrança de escanteio, Danilson vê a movimentação de Preto [3º] entrando livre pelo meio da área adversária. O passe sai na medida exata, mas Preto teve que bater duas vezes para marcar, pois na primeira Alex Mazurkiewicz praticou sensacional defesa: 2x1.
Melhor na partida, os Azuis chegaram ao terceiro gol. Joarez, em bonita jogada, domina a bola no peito e, da lateral da meia-cancha, rola para Danilson [4º] arrematar e Alex falhar - por sinal sua única falha em todo jogo: 3x1.
O espírito castelhano de uma mística camisa centenária se fez presente. Perdomo, lendário xerife aurinegro, tocou levemente o semblante de Vander [5º], que, atraído por tamanha força, cobrou falta direta e estufou as redes de Vilnei: 3x2.
Mesmo com outro gol de Danilson [6º], o dos 4x2, o Az/Pr, que até então era melhor, não conseguiu conter mais a expressão amarela e preta de uma equipe voltada para o embate destemido. A pressão charrua passou a ser esmagadora. Os Azuis não conseguiam sair de trás. Parecia que os jogadores amarelos tinham tingido seus olhos de sangue, tamanha sua disposição e entrega. Nada era mais importante do que a vitória para estes atletas.
Joarez, em saída mal pela esquerda, permitiu a Marcelo Montero, com sua classe de sempre, descontar em 4x3 e colocar os Aurinegros na luta outra vez.
Em lançamento de Vander, Evandro [8º], embuído do espírito aguerrido e matador de um dos maiores artilheiros da história do Peñarol, Spencer, deslocou-se pelas costas de Fábio e de cabeça desviou a trajetória da bola, empatando em 4x4 o confronto.
A essa altura, a quadra estava virada num Centenário, a loucura charrua fazia se ouvir a distâncias dali. Tamanha pressão e atmosfera surtiu efeito: os Amarillos viraram a partida e a venceram. Evandro Spencer [9º], antecipando-se a Fábio, outra vez, chutou forte no canto de Vilnei, após cobrança de escanteio, marcando 5x4.
Carrinhadas, marcações, trombadas, sangue e suor: marcas de um time místico que, até o último minuto, segurou a pressão adversária e saiu de quadra mais do que vencedor, antológico e bravamente charrua.

Um comentário:

  1. NOTAS :

    EVANDRO 7,8
    ALEX 7,1
    VILNEI 6,9
    JOÃO PAULO 6,9
    FÁBIO 6,8
    VANDER 6,7
    MARCELO 6,5
    DANÍLSON 6,3
    PRETO 6,1
    CHARLES 6,0
    JOAREZ 5,7

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