AZUL/PRETO 6X8 AMARELO
GOLS:
AZUL/PRETO: Alex; Vander (3º); Fábio; Preto (5º, 7º); Jairo (6º); Veni (13º, 14º)
AMARELO: Vilnei; Marcelo (4º); Diogo; Cristiano (10º, 12º); Filipe (1º, 2º, 8º, 9º, 11º); Fabrício
O jogo do fair play. Assim poderia ser nomeada essa partida, a quarta da temporada. O excesso de cavalheirismo beirou o ridículo. E o que é pior: as reclamações, parte genética da Junção, geravam paralisações a todo instante. No entanto, uma vez parado o jogo para que a reclamação pudesse ser atendida, o que se via era, ao invés da cobrança da infração, o reclamante devolvendo a posse de bola para o suposto infrator. Ora bolas, se é para estancar o andamento da partida, que seja feita a devida cobrança do ato infracional pelo time que se achou lesado (lembrando que nesta partida não havia arbitragem), caso contrário não interrompa o prosseguimento do clássico, sob pena de o mesmo ser caracterizado não mais como Junção, e sim como uma partida beneficiente, daquelas praticadas em todo final de ano, onde o que vale é a participação e o futebol arte, deixando a competição como mero acessório. Convenhamos pessoal, isto não é Junção!
Portanto, a partir de hoje, fica decretado que, se é para se jogar partidas de caráter beneficiente, façam o favor de esquecer tudo aquilo que vocês aprenderam e principalmente viveram em termos de Junção. Rasguem suas cartilhas e transformem-se em produtores do tão badalado "futebol bem jogado", expressão usada por 10 entre 9 comentaristas de futebol da região Sudeste deste país de samba no pé e futebol arte na cabeça. Se é para fazer palhaçada, que venham todos fardados de Neymar, Robinho e Cia. Se caso optarem por isso, esqueçam que dentro de cada um de vocês há uma fagulha de fogo que em todo dia 20 de setembro vira uma labareda vermelho-alaranjada, capaz de incendiar seus corações e arrepiar suas epidermes forjadas por antepassados que jamais se deram por vencidos, mesmo perante todas as adversidades de se enfrentar um Império. Mesmo esfarrapados, marcaram a história deste País - desculpem-me os politicamente corretos, mas sou bairrista sim! - chamado Rio Grande do Sul. Se é para promover o fair play, peço que esqueçam o frio cortante oriundo das margens do Rio da Prata; banhem-se em Copacabana, Barra da Tijuca, Santos, Porto Seguro ou o raio que o parta acima do meridiano 30. Se o fair play passar a fazer parte de nossos confrontos, sugiro que comemorem seus gols ao som de pagodes e coreografias afins, e não mais com o destemor do rock sulista e com a classe do tango portenho. Esqueçam os Pampas da Fronteira Oeste, a geada soprada pelos Campos de Cima da Serra, a radiosidade do pôr-do-sol das margens do Rio Guaíba (foda-se se ainda alguns estudiosos teimem em chamá-lo de lago; para nós, amantes do apelo juncianeiro, ele sempre será reconhecido como rio - lago é a lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro). Esqueçam as nossas fronteiras platinas e charruas, a miscigenação de nossa cultura rica em feitos e histórias que atravessaram o continente e encontraram respaldo e respeito em outras instâncias para além do Atlântico. Se vocês, caros juncianeiros, optarem pelo fair play, Simon Bolivar deixará de ser o padroeiro da Junção e Garibaldi seu fiel escudeiro (Pelé ainda não morreu, mas acima do Sul já é considerado santo - uma opção de padroeiro). Ou continuamos amando nossa falta de preparo, nossos trapos e bandeiras, nossos ranços e carrinhadas, nosso piso nada perfeito, nossas catimbas e tudo o resto que cheira como periferia às narinas do futebol arte, ou, então, a partir de hoje não nos autodenominamos mais como atletas da Junção. Façam suas escolhas.
Depois do desabafo, o jogo. Destaques para a (finalmente) primeira vitória de Vilnei, e também a estreia de Filipe neste ano. Este, por sinal, esteve bem; aos poucos incorpora em sua forma de atuar o espírito juncianeiro - ainda falta-lhe a virtude (na Junção vale tanto como marcar um gol) da marcação. Mas isso ele com o tempo irá adotar.
O Amarelo soube aproveitar as falhas adversárias e, dessa forma, garantiu sua vitória. De maneira geral, com exceção de Preto, o Bicolor se portou taticamente mal em quadra. Quando ajustou um pouco sua marcação e forma de atuar, já era tarde demais.
Vander, em noite infeliz, propicia, em duas saídas de bola mal conduzidas, ao Amarelo, pelos pés de Filipe (1º e 2º), a abertura e a sua consequente expansão do placar: 2 a 0.
O mesmo Vander (3º), ao receber passe de Fábio, chuta forte no canto de Vilnei e desconta em 2 a 1.
Marcelo (4º), em tabela com Cristiano, passa por Fábio e amplia em 3 a 1 o escore.
Numa indecisão da zaga amarela, Preto (5º), o melhor bicolor em quadra, chuta para descontar: 3 a 2.
O empate azul e preto veio por intermédio de Jairo (6º), que, após lance individual de Veni onde a bola tocou no poste, o "veinho" da Junção ficou com o rebote para concluir e empatar em 3 a 3 o clássico.
Empolgado pelo bom m omento, o Bicolor chegou a virada. Preto (7º), aproveitando descuido de Filipe ao receber passe lateral de Diogo, roubou a bola e avançou livre para tocar na saída de Vilnei: 4 a 3.
Antes que o primeiro tempo encerrasse, Diogo arriscou de longe, Alex de rebote e Filipe (8º) no oportunismo deixou tudo igual: 4 a 4.
Na etapa final, o Az/Pr se perdeu na formatação tática, e quando tentou se reencontrar no jogo, já perdia por uma diferença de quatro gols, situação difícil de ser revertida.
A dupla Filipe e Cristiano entrou em sintonia no segundo tempo. Acertaram muitas tabelas e foram eficientes no lance final. Ao total cada um, nesta segunda parte do jogo, marcou duas vezes. Primeiro, Cristiano cruzou e Filipe (9º) completou: 5 a 4. Em seguida, Cristiano (10º), em lance individual, venceu a marcação para ampliar em 6 a 4. De cabeça, Filipe (11º) escora lançamento de Vilnei: 7 a 4. Por fim, Vilnei, outra vez, lança Cristiano (12º) que, de bico, vence Alex: 8 a 4.
Na base da raça, Veni (13º e 14º), o novo papai da Junção, marca duas vezes, descontando em 8 a 6 o placar, que assim se manteve até o minuto final de bola rolando.
Para além do jogo, a questão que agora se impõem é a seguinte: Junção ou Fair Play?
FILIPE 6,85
ResponderExcluirPRETO 6,60
VILNEI 6,50
MARCELO 6,35
VENI 6,30
CRISTIANO 6,20
ALEX 6,00
FÁBIO 6,00
DIOGO 6,00
FABRÍCIO 5,80
JAIRO 5,40
VANDER 5,10