domingo, 4 de janeiro de 2009

Junção: uma história feita de paixão, raça e carrinhadas

Éramos o Boca Juniors. Charles ["Nêgo" Charles] e Vilnei [Zé Galinha], goleiros; Cristiano ["Lôco"] e Roberto [Beca], zagueiros; Fábio [Cavalão], Luciano [Mosquito] e Ricardo [Carniça], alas; Jairo [Vallejo] e Fabiano [Capitão Raí], atacantes. Éramos o Boca Juniors de um tempo em que este não era tão pop assim. Éramos o Boca Juniors, mais conhecidos como o "time dos cabeludos aguerridos", ou simplesmente Boca. Em meados da década de 90, éramos [quase] imbatíveis. Tínhamos nossa própria "Bombonera", que, em tardes de domingo, parecia ganhar vida própria. Lá dentro, os adversários eram esmagados, triturados e derrotados. Poucas foram as derrotas neste mitológico palco futebolístico. As defesas de Charles, as arrancadas de Luciano, os golaços de Ricardo, o oportunismo de Vallejo, as cabeçadas de Fábio, as carrinhadas de "Lôco", os gritos de Beca, enfim, todos estes biografemas fizeram, e ainda fazem, ecos e história pelos quatro cantos de La Bombonera. Os "loucos do Boca", os "argentinos cabeludos", referências que marcaram nossas vidas, nossas adolescências. O mundo parecia tão simples para nós. Bastava vestir o "manto sagrado" para que a vida fluísse num ritmo descompassado e eloquente, assim como nosso futebol, forjado em batalhas infindáveis por onde quer que passávamos. Pelear até o apito final era uma urgência; viver era uma consequência.
Éramos o Boca, éramos nove. Hoje somos a Junção, somos quatro mais um.
Primeiro de março de 1996. Ginásio Guilherme Schell. Terça-feira, 21hs. Aqui tinha início uma nova fase. Começou como uma brincadeira, uma descontração, mas aos poucos foi ganhando uma notoriedade estupenda. Muitos desistiram. Poucos resistiram. Alguns se despediram. Outros se juntaram. Outros, ainda, retornaram. A verdade é que o corpo muda, porém a alma jamais se dá por vencida. E essa alma tem em sua constituição resquícios portenhos. Apresenta em sua essência a luta, a raça e o destemor de seus antecedentes. Hoje, de volta a sua casa, a Bombonera, a Junção se imortalizou nos corações de seus atletas. Às terças-feiras, no horário das 21hs às 22hs, a emoção fica à flor da pele. Uma espécie de nostalgia paira no ar, fazendo dessa uma hora, uma vida contada em paixão, raça e carrinhadas.

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