
AZUL/PRETO 8X7 VERMELHO
Gols:
AZUL/PRETO: Alex; Evandro [9º]; Charles; Danilson [1º, 3º, 8º]; Diogo [12º, 13º, 15]; João Paulo [5º]
VERMELHO: Vilnei; Cristhian [6º, 7º]; Marcelo; Erlon [4º, 11º, 14º]; Fábio [2º, 10]; Jairo
Extremamente quente, literalmente. Sob um forte calor, o sétimo jogo da temporada também se fez quente dentro das quatro linhas. Disputas acirradas não faltaram. Caliente foi o empurra-empurra de Jairo e Charles na briga pela bola. De cabeça quente, melhor, em chamas, estava Jairo que, até mesmo com o árbitro, bateu boca.
João Paulo, aceso, finalmente fez sua tão esperada estréia na Junção. Guri, que na insistência, fez-se chama[do].
Inflamáveis: Cris e Marcelo: labaredas vermelhas que puseram fogo no clássico. Lança-chamas dos Vermelhos. Brigaram e conduziram sua equipe em busca do melhor resultado. Foram, cada qual em sua função, quase perfeitos. Marcelo, em desarmes precisos, fez uma de suas melhores participações na Junção. No que pese o gol imperdível por ele perdido, foi excelente defensivamente. Já Cris foi o maestro dos Reds. De seus pés nasceram as melhores jogadas criadas pelo Rubro. Atuante, participante e combativo, pôs fogo no clássico. Pena que o esforço dos dois não foi o suficiente perante a frieza pragmática dos Azuis. Longe do brilhantismo do jogo passado, Danilson foi eficiente, assim como seu time. Combateram o calor e o fogo vermelhos com muito suor.
Ritmo alucinante e calor insuportável, fatores incendiários de um clássico emocionante. Gols bonitos, gols [incrivelmente] perdidos. Respiração suspensa [tanto pelo calor quanto pela emoção]. Cris e Marcelo, destaques; Danilson, decisivo. Festa em azul e preto. Decepção tingida em vermelho.
Na indecisão de Fábio e de Cris, após cobrança lateral de Erlon, Danilson [1º], em velocidade, ficou com a bola, driblou Vilnei e tirou o primeiro zero do placar: 1x0 pro Az/Pr.
Fábio [2º], em tabela com Erlon, tocou e recebeu de volta para igualar em 1x1 o escore.
Escassas eram as oportunidades. A marcação era sob pressão de ambos os lados. O jeito era contar com uma falha individual ou uma jogada tecnicamente bem elaborada. E ela veio. Da ala-direita Evandro avistou Danilson [3º] entrando nas costas da defesa adversária. O passe foi por cima, milimetricamente preciso, para um arremate certeiro, de primeira: 2x1.
Desarme pontual de Marcelo na meia-cancha, evitando ataque perigoso azul e armando contra-ataque letal vermelho, que, nos pés de Erlon [4º], acabou nas redes de Alex: 2x2.
Com a entrada de João Paulo, o Az/Pr tomou uma postura mais defensiva. João entrou aceso. Em seu primeiro lance "presenteou" Cris com uma carrinhada que o largou pra fora das quatro linhas. Era a ânsia, há tanto tempo guardada, da estreia.
Com o Vermelho controlando melhor a partida, Cris assumiu a posição de referência do time. Marcelo, seguro e rígido na defesa, era um legítimo soldado espartano, disciplinado na marcação e difícil de ser batido. Contudo, mesmo melhor no jogo, os Reds sofreram outo gol. Em passe errado de Jairo, João [5º] ficou com a bola, tabelou com Danilson e fuzilou com um petardo as redes de Vilnei: 3x2.
Confirmando sua boa fase na temporada, Cris [6º e 7º], em duas oportunidades, virou para 4x3 o escore a favor dos Reds, sendo que no primeiro gol se aproveitou da costumeira falha de Alex [saída mal de bola com os pés], e no segundo, usou de todo seu refinamento técnico para, num chute preciso, tirar a bola do alcance de Alex.
Com os dois gols de Cris, o Vermelho não só selava sua vitória parcial no primeiro tempo como, sobretudo, assinalava seu melhor momento no clássico.
No segundo tempo, a partida prendeu fogo. O Az/Pr equilibrou as ações novamente, deixando o jogo num legítimo fogo cruzado. Como se fossem dois exércitos espartanos, azuis e rubros se embrenharam numa batalha acirrada pela posse de bola. De início, numa falha de atenção de Erlon, Danilson [8º], astuto como sempre, bateu forte o passe oriundo de Charles em cobrança de escanteio. Indefensável. Placar outra vez igualado: 4x4.
Embalados, os Azuis chegaram à virada: Evandro [9º], em drible certeiro e rápido pra cima de Fábio, acertou um belo chute colocado e rasteiro no canto de Vilnei. Falha do arqueiro rubro e virada azul: 5x4.
Cris voltou a brilhar em passe preciso para Fábio [10º], que, deslocando-se pelo meio da defesa inimiga, ficou livre para tocar por cima de Alex e decretar um novo empate na partida: 5x5.
No calor do momento, Erlon [11º] recebeu passe lateral de Marcelo, driblou seu marcador e bateu colocado no ângulo inferior de Alex: 6x5.
Em sucessivos estranhamentos, Jairo perdeu a cabeça. Passou a fazer muitas faltas. Do outro lado, o azul, Diogo [12º e 13º] apareceu mais para o jogo. Em duas oportunidades que teve, assinalou dois gols. Detalhe: estes dois gols nasceram em cobranças de falta, desnecessariamente cometidas pelo Vermelho.
No primeiro gol Danilson rolu de lado e Diogo emendou forte para as redes de Vilnei. No segundo, este de tiro livre direto, Diogo bateu forte, Vilnei até tocou na bola, mas não o suficiente para evitar o gol dos 7x6.
Quando o Az/Pr ainda comemorava seu sétimo gol, Erlon [14º], na sáida de centro, surpreendeu Alex, marcando o gol de empate de seu time: 7x7.
Com o jogo aberto, sob um calor infernal, a partida se encaminhou para seus minutos derradeiros. O Vermelho, então, se deu ao luxo de perder, no mínimo três chances claríssimas de gol. Cris, sozinho, tentou desviar de Alex, mas este, com méritos, fechou muito bem o ângulo. Depois Erlon livre dentro da área conseguiu o mais difícil: cabecear a bola pra fora quando Alex já estava batido no lance. Agora, pra fechar as três oportunidades desperdiçadas, aquela das ditas "imperdíveis da Junção", ficou a cargo de Marcelo fazê-la. Fábio, desarmando Evandro no meio, tocou a bola para Cris e Marcelo - os dois estavam praticamente lado a lado no lance. Na sequência, um deixou para o outro, sendo que por último, com o gol vazio, lá estava o trio [Cris, Fábio e Marcelo] apto a só empurrar, sem esforço algum, a bola pra dentro das redes de um Alex já desanimado e deixado pra trás. Pois Marcelo, na indecisão entre marcar o gol ou passar a bola pra Fábio fazê-lo, não fez uma coisa e nem a outra; o pior: em sua indecisão o chute saiu mascado e a bola, debochadamente, saiu roçando lentamente o poste, ganhando asas pra plainar baixinho pela linha de fundo. Inacreditável! Contudo verídico, muito verídico.
No último minuto, no desfecho do lance anterior, Danilson, decisivo e rápido como de costume, encontrou Diogo [15º] entrando por trás da defesa vermelha. O passe foi sob medida, e o gol um castigo que a bola impôs aos Reds, uma ducha de água gelada nas labaredas incendiárias avermelhadas. Tudo se apagou ali para o Vermelho, inclusive o calor. Tudo se iniciou ali para os Az/Pr, inclusive o fogo da vitória.
Sob a trilha sonora, um tanto quanto modificada, de uma canção de Fernanda Abreu, os Azuis saíram de quadra cantarolando os seguintes versos: Junção 40°C, jogo maravilha purgatório da beleza e do caos.
Alex 6,00
ResponderExcluirCharles 5,83
Diogo 6,46
João Paulo 5,86
Danilson 6,43
Evandro 6,30
Vilnei 6,23
Fábio 6,20
Marcelo 6,76
Erlon 6,13
Jairo 5,86
Cristhian 6,76