
AZUL/PRETO 8X8 VERMELHO
Gols:
AZUL/PRETO: Vilnei; Marcelo [13º, 15º]; Veni [1º, 7º, 16º]; Fábio; Evandro [5º 8º 12]; Jairo
VERMELHO: Alex; Danilson [3º, 4º, 9º, 10º, 14º]; Fabrício; Cristhian [2º]; Erlon [6, 11º]; Charles
Um certo dia, mais precisamente entre 540 a.C. e 470 a. C., Heráclito, filósofo grego, pré-socrático, afirmou, em outras palavras, o seguinte: "não podemos entrar duas vezes no mesmo rio, porque, ao entrarmos pela segunda vez, não serão as mesmas águas que estarão lá, e a mesma pessoa já será diferente."
Pensando nas sábias palavras deste grande pensador, ficamos na tentação de transportá-las para o futebol, mais precisamente, para a Junção. Heráclito, em verdade, nos diz que tudo flui, tudo se move, exceto o próprio movimento. Sendo assim, nada é estável, tudo está porvir, a vida se faz e se desfaz nos movimentos. No futebol, a regra é a mesma: cada partida é diferente de outra. Cada lance define uma situação. Nos movimentos é que a vida explode [um gol, por exemplo] e não cansa de se fazer diferente.
Este clássico teve, em comum com os dois últimos, apenas o resultado de empate. Cada qual foi [e assim sempre será] um jogo ímpar. Estendendo um pouco mais nosso pensamento nesta linha de raciocínio, podemos afirmar que, em toda a história da Junção, nenhuma partida foi igual a outra. Isto é, caro leitores, a Junção segue sendo um movimento único, constante e inigualável.
Heráclito definiu o fogo como o princípio de todas as coisas: "todas as coisas são uma troca do fogo, e o fogo, uma troca de todas as coisas". Ou seja, todas as coisas transformam-se em fogo, e o fogo transforma-se em todas as coisas.
Fogo contra fogo, assim foi o quarto jogo da temporada. Com exceção do primeiro gol, o Vermelho sempre se manteve no comando do placar. Também foi quem comandou as melhores ações, impondo seu futebol na maior parte da partida.
Destaques para Danilson [mostrando que seu faro de gol é uma constante em sua performance], Cristhian [toque refinado e garra aguçada], Erlon que, em sua volta, jogou um futebol categórico e objetivo, sendo peça fundamental no esquema rubro e Charles, raça foi seu movimento.
Do lado azul, cito Marcelo como destaque. Defensor seguro e de eficácia simples. Além disso, quando necessário, sabe aproveitar os espaços adversários para atacar e, até mesmo, marcar, como fez neste embate, assinalando um belo gol.
Na insistência, foram dois escanteios seguidos, os Azuis abriram o placar. Jairo cobrou o corner e Veni [1º] bateu firme: 1x0.
Na consistência, os Reds viraram o escore. Em triangulação iniciada por Erlon, Charles rolou para Cristhian [2º] que, sutilmente, tocou por cima de Vilnei: 2x1. Em seguida, Danilson [3º e 4º], em duas situações, marcou 3x1. Na primeira, Erlon roubou a bola e serviu o goleador. Na segunda situação, jogada pela esquerda de Cris com passe na medida para ele, Danilson, novamente, marcar os 3x1 e selar o escore do primeiro tempo.
Na etapa final, os Blues and Blacks esboçaram um princípio de reação. Evandro [5º] driblou seu marcador e mandou ver um balaço pra cima de Alex. Um golaço: 3x2. Contudo, seguindo à risca os preceitos de Heráclito, Evandro sentiu na pele que um rio jamais será o mesmo, assim como um passe. Em passe errado seu, Erlon [6º] agradeceu e deslocou Vilnei: 4x2.
Veni [7º], tentando dar maior fluidez ao seu time, em jogada ensaiada de falta, descontou em 4x3 o marcador. Evandro [8º], redimindo-se da falha anterior, empatou em 4x4 a partida.
Fluída e constante ficou o jogo. Quente era a noite, acirrados estavam os ânimos. Vulcão, lava e fogo. Danilson [9º e 10º] explodiu outras duas vezes com as redes de Vilnei: 6x4. Erlon [11º], atiçando ainda mais o fogo, ampliou em 7x4 o escore.
Os Reds eram melhores. Veni não repetia as atuações anteriores. Desgastado e pecando pelo excesso de individualismo, era desarmado constantemente. Evandro [12º], o mais agudo dos azuis, superava-se na raça para tentar suprir as carências ofensivas de seu time. Foi dele o gol que deixou o placar em 7x5, possibilitando condições anímicas para sua equipe entrar novamente no jogo.
Marcelo [13º], em bela jogada individual, captou a mensagem de Evandro: 7x6.
No entanto, Veni, apático e cansado, perdeu a bola pra Danilson [14º], sendo que este não perde a possibilidade de marcar: 8x6.
Quando se imaginou que essa partida já estaria definida, eis que Marcelo [15º], outra vez, recolocou o Az/Pr no páreo. Uma bela construção coletiva culminou no gol do defensor azul: 8x7.
Ainda houve tempo de Jairo encontrar Veni [16º] bem colocado para bater e decretar o empate final no clássico em 8x8.
Se, segundo Heráclito, tudo, no fim, se transforma em fogo, a Junção é, em sua essência, um vulcão a colocar nossas vidas em constante erupção.
NOTAS:
ResponderExcluirEVANDRO 6,83
ALEX 6,57
ERLON 6,53
MARCELO 6,43
CRISTIAN 6,43
FÁBIO 6,43
VENI 6,37
CHARLES 6,30
VILNEI 6,30
DANÍLSON 6,13
JAIRO 6,10
FABRÍCIO 5,57