AZUL/PRETO 5X5 AMARELO
Gols:
Azul/Preto: Alex; João Paulo; Marcelo [3º]; Preto; Evandro [1º, 7º, 8º]; Charles; Jairo [5º]
Amarelo: Vilnei; Danilson [2º, 10º]; Vander [9º]; Diogo; Veni [4º]; Felipe; Erlon [6º]; Fábio
Foi uma batalha campal. Porém, ao invés de trincheiras, baionetas e granadas; corpos caídos, destroçados e despedaçados, a guerra se fez pela posse de bola, pelo chute desferido mortalmente, pela defesa dita impossível, pela dividida mais ríspida... Enfim, uma guerra travada dentro de quatro linhas entre o exército Amarelo e o Bicolor.
Corpos prontos para a batalha que se iniciou desde o primeiro trilho do apito. Corpos disciplinados, forjados numa estrutura romana, em colunas defensivas intransponíveis. Corpos indisciplinados, calcados numa desordem bárbara, ofensivamente agressivos, prontos para o ataque à meta inimiga. Disciplinados ou desvairados, os corpos tinham apenas um objetivo: a vitória.
Dentre tantos corpos, um corpo. Elástico, enaltecido por uma mescla de fibra castelhana e frieza europeia, esse corpo se sobressaiu sobre os demais. Foi corpo e alma juntos. Defendeu sua meta como quem guarda as portas da entrada de um reino. Foi espartano, no sentido da frieza e técnica, mas também farrapo, no sentido da bravura e do destemor em defender seu exército. Esse corpo tem uma identidade personificada em duas cores, azul e preto, que se chama Alex, o nome do jogo.
Alex teve uma inquestionável performance que beirou a perfeição. Se não fosse por ele, seu time, por certo, teria saído de quadra derrotado. O empate só foi possível devido a Alex, o corpo do jogo. Com defesas absurdas, o arqueiro Bicolor salvou seu time, literalmente, com as mãos. Vander em, no mínimo, três petardos viu seu gol se transformar em sonho nas mãos de Alex. Fábio também teve essa mesma sensação ao ver o arqueiro azul praticar uma defesa incrível num chute certeiro seu. Danilson foi outro que se deparou com sua fragilidade por pelo menos umas quatro vezes diante do pequeno-gigante Alex. O goleador da Junção literalmente parou nas mãos do arqueiro azul e preto, tendo feito apenas dois gols dos tantos outros possíveis de serem feitos, caso não fosse Alex o goleiro inimigo.
Mas não somente de Alex o time Bicolor foi constituído. Havia outros corpos também. Corpos estes moldados para o embate do confronto. Evandro foi um destes. Fundamental foi sua participação no clássico. Atuou com desenvoltura e aplicação táticas inerentes a um legítimo peleador. Assim como seu goleiro, dedicou-se, colocando seu corpo à prova, pelo amor a sua equipe. E não se arrependeu. Roubou a bola de Veni na defesa, avançou e mandou um petardo no ângulo de Vilnei, marcando 1x0.
Pressionando a saída de bola adversária, os Amarillos forçavam ao erro seu rival. Num destes, Marcelo teve a infelicidade de cometer um passe errado justamente à frente de Danilson (2º), na entrada da área. Essa foi a primeira das duas vezes em que o artilheiro venceu o guarda-metas: 1x1.
No impasse do empate, o Amarelo seguiu propondo as ações da partida. O Az/Pr, sempre perigoso nos contra-ataques, seguiu apostando na marcação e nas defesas de Alex como suas armas letais. Por investir tanto no sistema defensivo como sua proposta estratégica, o Bicolor se viu recompensado. Assim como o lendário zagueiro uruguaio e gremista Hugo De León se redimiu da falha, que acabou em gol Rubro-Negro, num clássico contra o Flamengo pela Taça libertadores da América (assim se chamava a outrora legítima, respeitada e destemida competição continental) de 1983, marcando o gol de empate Tricolor, Marcelo, inspirado por esse mesmo espírito charrua, anotou o gol de 2x1 de seu time. Evandro puxou o contragolpe ao desarmar Danilson na meia-cancha, avançou e bateu, na sobra de defesa parcial de Vilnei, Marcelo (3º) chegou fuzilando e colocando o Az/Pr em vatagem novamente.
Mas se Evandro, por duas vezes, foi mentor de dois gols azuis por roubar a bola de seus adversários, foi quem também falhou no gol de empate amarelo. Diogo se saiu melhor no embate com Evandro em seu campo de defesa e rapidamente lançou Veni (4º) que, num chute impecável, mandou fora do alcance de Alex: 2x2.
A segunda etapa começou quente. Jairo e Fábio se estranharam num lance que ocorreu ainda no primeiro tempo e teve repercussão nesta etapa final. Fábio não gostou do modo como jairo foi para uma disputa de bola com ele. Os ânimos se acirraram. Ambos se prometeram. O jogo prosseguiu. Porém, agora, ainda mais peleado. A vitória virou uma questão de honra. Fábio e Jairo foram o símbolo de corpos em guerra; de times num compasso eloquente e vivaz, enaltecidos pela atmosfera da Junção.
Nesta pequena batalha dentro da guerra principal, jairo (5º), em princípio, levou a melhor. Foi seu o terceiro gol de sua equipe. Evandro recebeu livre na área e tocou na medida para o "velhinho bom de bola da Junção" fazer 3x2.
Um detalhe interessante neste clássico diz respeito ao placar. As iniciativas partiam, em grande parte, do lado amarelo. Contudo, quem sempre abria a vantagem era o Bicolor (1xo, 2x1, 3x2, 5x3) - e assim seguiu até o final.
Os Amarillos permaneceram tentando. Alex, lembrando Hitchcock, seguia com seu corpo em queda, praticando defesas bárbaras. Por falar em bárbaros, Diogo, assumindo o papel de um, arrancou de trás, passou por seus marcadores e deixou Erlon (6º) à vontade para romper com os portais da cidadela de Alex, igualando em 3x3 o escore.
A guerra não cessou sequer um minuto. Alex e Evandro, cada qual em seu papel, foram notórios em quadra. Vestiram o manto azul e preto com tanta fúria que por pouco não consolidaram, ao invés de um empate, uma vitória dos Bicolores.
Evandro (7º e 8º), que teve participação direta nos cinco gols de seu time - marcou três e deu passe para os outros dois -, ampliaria, em duas oportunidades, o placar para 5x3. Na primeira chance, aproveitou-se de passe errado de Erlon. Já na segunda oportunidade anotou um golaço ao matar a bola no peito e, do meio da rua, acertar um potente chute no ângulo superior de Vilnei.
O corpo chamado Alex parecia destinado a não deixar mais nada entrar em suas redes. Até que Vander (9º), depois de tantas tentativas, emplacou um chute violentíssimo, mandando a bola fora do alcance do guarda-metas azul: 5x4.
A redenção amarela só veio nos minutos finais da partida. Após bate-rebate na área, Danilson (10º) venceu a disputa com a defesa rival, decretando o empate como resultado final do clássico.
Ainda houve tempo para Veni se lesionar (rompeu parcialmente os ligamentos do joelho direito) numa disputa de bola com Evandro. Neste lance, Veni, corajosamente, jogou-se, dentro da área, com Vilnei já batido, aos pés de Evandro, evitando, assim, o gol que provavelmente daria a vitória ao Bicolor. Um lance para finalizar de forma heróica esse épico confronto.
De tantos corpos caídos ao chão, lembrei-me do soldado russo narrado por Nietzsche em sua clássica obra Ecce Homo, na qual tal soldado, após ter muito lutado contra todas as intempéries possíveis, tomba sobre a neve não derrotado, mas vencido pelo cansaço de uma batalha monumental, que, no caso literário se resume à vida, mas no nosso, a Junção, a vida pela Junção.
NOTAS DO JOGO :
ResponderExcluirEVANDRO 7,7
ALEX 7,6
VENI 7,2
VILNEI 7,1
DANÍLSON 6,6
FÁBIO 6,6
ERLON 6,5
FELIPE 6,4
DIOGO 6,4
VANDER 6,4
JOÃO 6,4
PRETO 6,2
JAIRO 6,2
MARCELO 6,0
CHARLES 5,9